São Paulo, 3 de julho de 2015

Não ao inchaço da Câmara Municipal

Foi aprovado em votação nominal na Câmara Municipal um projeto da mesa diretora que prevê o aumento do número de assistentes parlamentares nomeados por vereador.

Pelo documento, dos atuais 17 assistentes, além do cargo de chefe de gabinete já previsto, o número sobe para 29. No total, 660 novos cargos poderão ser ocupados, sem que haja aumento na verba para pagamento de salários.

Me oponho à proposta por uma série de motivos.

Temos um país em crise, com inflação prevista de 9% no ano e taxa de desemprego crescente, com empresas demitindo em todos os setores. Em um momento de controle de gastos, um órgão público não pode dar um passo maior que a perna.

Tampouco me parece adequado a Câmara resolver, da noite para o dia, colocar em votação um projeto que amplie tanto o número de servidores da casa legislativa.

Apesar da alegação de um não aumento das despesas, soa muito estranha essa aprovação às pressas. Quem garante que em um próximo momento, no segundo semestre, por exemplo, não será apresentado um projeto de lei sugerindo exatamente um reajuste nas verbas dos gabinetes? Será então uma coincidência?

Todas as esferas de governos – municipal, estadual e federal – reduziram o orçamento de diversas pastas para evitarem problemas maiores com o mau momento econômico do país. Os efeitos dessa medida já são sentidos pelos brasileiros. Portanto, não me parece razoável a Câmara Municipal de São Paulo dirigir na contramão do movimento do país.

Deixo claro: não critico meus colegas favoráveis ao projeto porque muitos têm atuação regional e talvez a necessidade maior de contratação, o que não é o meu caso.

O projeto segue para análise do prefeito Fernando Haddad que poderá sancioná-lo ou vetá-lo.

Finalmente, afirmo que a postura de um homem público é observada com apuro pela população. Por isso, não deve ele ser guiado nem pela inconsequência nem pela precipitação.

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