São Paulo, 14 de dezembro de 2018

Réveillon da Paulista fica ainda melhor

Há poucos dias, o prefeito de São Paulo anunciou que pela primeira vez o réveillon da Paulista terá queima de fogos de artifício sem estampidos.

Trata-se de um enorme ganho para a cidade e um importante exemplo dado pela administração municipal no cumprimento da lei sancionada no último mês de maio, que proíbe o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de artefatos do tipo na capital.

Como um dos autores do projeto que originou a lei, afirmo que tal iniciativa representa uma vitória não só para os donos de animais domésticos – presentes em cerca de 60% dos lares em São Paulo, segundo pesquisa do IBGE – e dos moradores da região da avenida Paulista, mas também para idosos, bebês e crianças pequenas, entre outras parcelas da população que sofrem tremendamente com o ruído excessivo provocado pelos fogos, caso dos autistas, pessoas com síndrome de Down ou Parkinson.

Deve-se levar em conta que a intenção da lei não é atrapalhar a festa de ninguém, tanto que os fogos que produzem apenas o espetáculo visual seguem liberados, mas adequá-la ao bem-estar de todos.

O foco da lei, respaldada pela maioria absoluta dos moradores de São Paulo, não é a punição – ainda a ser definida na etapa de regulamentação –, mas conscientizar os cidadãos sobre a importância de não utilizar rojões e demais fogos barulhentos. O movimento é semelhante ao feito pela lei que estabeleceu o uso do cinto de segurança na cidade, inicialmente contestada, mas incorporada pouco a pouco pelas pessoas de maneira a tornar-se um hábito natural do dia a dia.

Os benefícios vão além: segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, os fogos de artifício são responsáveis por cerca de metade dos casos de queimaduras nas mãos, dos quais 10% resultam em amputação de ao menos um dedo. Um levantamento do Conselho Federal de Medicina aponta entre os anos de 2008 e 2016 que acidentes com fogos de artifício no Brasil causaram mais de 4.500 internações no país, com quase 200 mortes.

Por fim, a adesão de São Paulo à lei que proíbe os fogos barulhentos só dá força ao projeto de lei que atualmente tramita no Congresso Nacional e na Câmara dos Deputados, que visa vetá-los em todo o Brasil.

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