São Paulo, 8 de fevereiro de 2019

Artigo: Governos devem ser para todos

Representantes eleitos devem atuar em prol de todos, não apenas dos que estiveram ao seu lado na campanha, defende Covas

Na eleição passada, fui uma das pessoas que pregou – e talvez por isso tenha perdido a disputa para senador – que o país precisava sair dessa disputa de ‘nós’ e ‘eles’, esquerda e direita, ricos e pobres, PT e PSDB. No meu entender, o país já não aguentava mais essa divisão.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Acabou predominando a continuidade dessas disparidades. Hoje nós temos no governo alguém que se colocou e ganhou a eleição – legitimamente – com um discurso ‘anti’ e não ‘pró’, seguido por muitos eleitores que optaram em votar dessa forma.

Em vários momentos escutei que a vitória do presidente eleito significaria o sepultamento definitivo do PT, o que não é verdade e nem deveria ser a motivação para as pessoas votarem. Acredito que a escolha deva privilegiar um representante que pense no país daqui pra frente, e que governe sem excluir parte da população – condição fundamental de um bom governante.

Em embates eleitorais, acredito que os indivíduos devem ter posicionamentos claros, e é comum que estes sejam completamente antagônicos em relação ao de outros grupos. Porém, no momento em que um candidato é eleito e passa a exercer sua função, deve ter a responsabilidade de exercê-la para todos. Ninguém é presidente da República apenas de alguns, ou só de quem esteve ao seu lado durante a campanha, mas de todos. Isso, sublinhe-se, vale para todas as esferas de poder.

Por conta disso, acompanhei com muito interesse os discursos dos eleitos presidente do Brasil e governador de São Paulo, justamente para saber como ambos encaravam esse novo momento. O primeiro, em sua fala, sinalizou que seu governo seria mais amplo, enquanto o segundo preferiu, pelo menos a princípio, um discurso próximo do eleitoral.

Dito isso, faço uma defesa do prefeito Bruno Covas, criticado por alguns por sua escolha para o comando da secretaria de Cultura. O fato de um representante eleito trazer para junto de si alguém que tenha uma militância partidária, não diminui essa pessoa, pelo contrário. É preciso que militância não se confunda com entrega de espaço de poder a ponto do governo ter feudos, a ponto de alguns pontos da administração tornarem-se ‘fortalezas partidárias’, o que não tem a ver com interesse público, mas partidário.

Por outro lado, se antes de perguntar se uma pessoa é capaz de desempenhar seu papel dar-se mais atenção ao fato dela ser filiada a este ou aquele partido político, o que se faz é restringir sua atuação ao seu campo ideológico.

Penso que o prefeito, o governador ou o presidente têm, pelas urnas que os elegeram, obrigação de seres fiéis ao discurso que fizeram, e seus auxiliares devem seguir essa política e não realizarem uma política independente.

Finalmente, defendo que não se pode julgar um governo inteiro em função de um nome, especialmente se ele é de um partido diferente daquele que o agrada. Se for assim, não é possível construir um governo plural e que vise o bem de todos.

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