Opinião

Estamos em 2020 e não em 2022

Há um exército nas redes sociais difundindo fake news com o objetivo de prejudicar adversários

Estamos vivendo tempos sombrios. A pandemia está instalada. Diante do caos, é um absurdo tratar um problema de saúde pública como uma prévia de uma disputa que só acontecerá em 2022.

Tem me causado espanto que, em um momento tão sério como este, há um exército nas redes sociais difundindo fake news com um único motivo: prejudicar a imagem de adversários políticos. 

O tal gabinete do ódio – que é de conhecimento público – é quem coordena essa guerra das notícias falsas, sob o comando de um dos filhos do presidente, em uma sala dentro do Palácio do Planalto!

A formação militar do presidente faz com que ele enxergue inimigos em todo lugar. E a lista só tem aumentado. O Partido dos Trabalhadores e as demais siglas de esquerda são desafetos declarados. Os eventuais concorrentes num futuro embate eleitoral, os governadores do Rio de Janeiro e de São Paulo, têm sido seus alvos mais recentes. Sem contar os países que não estejam alinhados com os Estados Unidos. 

Chega ao extremo de insinuar que o presidente da Organização Mundial de Saúde esteja a serviço de teses marxistas. Bolsonaro esquece que a OMS faz parte das Organizações das Nações Unidas, órgão composto pela maioria dos países do mundo e sediado nos Estados Unidos. Haja criatividade para tanta teoria da conspiração!

Se não bastasse, ele boicota a própria equipe. O ministro Moro já sofreu com isso e o alvo da vez é Henrique Mandetta. O ministro da Saúde, que vem realizando um trabalho sério, defende o isolamento social como forma de controlar a disseminação do vírus, ao contrário do seu entendimento. A notícia mais recente é de que o presidente chegou a convocar uma reunião com representantes da área da saúde sem a presença de Mandetta. Com qual objetivo? Absurdo!

Para piorar, Bolsonaro faz pronunciamentos contraditórios que acabam confundindo a população. Se somarmos isso à produção do gabinete do ódio, me preocupa muito que num futuro não tão distante, as pessoas se dividam entre os que defendem o isolamento social e os que defendem o que o presidente prega, e partam para as vias de fato.

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